Friday, January 26, 2007

Mudamos

Gente, tamos indo pro wordpress.

O novo endereço é esse. Espero que gostem das novidades

Até...

Wednesday, January 24, 2007

E as coisas terminam

E ela me olhou com os olhos marejados. Lágrimas profundas começaram a escorrer e a boca tremia forte, num último impulso de auto-preservação.

Foi quando eu me lembrei de seu sorriso e me senti um monstro. Um mostro desses que faz bonecas chorarem.

E, virando as costas pra me livrar dessa tortura, soltei uma lágrima solitária e fui sem dizer adeus.

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Adeus

Saturday, January 20, 2007

Devaneio

Não que eu desejasse ter, quem sabe um beijo ou uma espécie de olhar daqueles que atravessam a gente de um jeito que parece que estamos nus na multidão. Não, nunca quis isso, nem dela nem de ninguém.

Não que eu quisesse ser arremessado na parede e ter cada parte de mim tocada pelas mãos dela, sabiamente me tomando de posse e possuindo meu corpo (que já é dela) pra dele fazer o seu desejo.

Não, isso é muito. Isso é demais.

Eu só queria os lábios, ah, aqueles lábios.

Tendo aqueles pequenos lábios eu teria tudo

E muito mais...

Friday, December 22, 2006

A Árvore

Nesses dias que faz um sol lascado lá pras bandas do porto de Paranaguá, eu fico pensando em como é que pode a vida ser tão trivial sem um tipo especial de beijo que a gente vai sugando com os olhos fechados da boca daquela mulher bonita que passa pela praia nos dias de semana. Não, ela passa sempre à noite e não usa biquíni não. Ela é violão, samba-canção.

Eu acho tão lindo o sorriso dela, cheio de dentes tortos, os cabelos arrumados como se pode, a bolsinha pequena pra guardar as notas de dólar e aquele short minúsculo sem calcinha. E ela se oferece pros turistas colombianos, atrás da mulher brasileira...

Ah, mas com que vontade eu sugo aquela boca! Eu trabalho a semana inteira pra poder ficar com ela. E fico como posso, fico ficando, oras!

E ela se despede, indo pra outro homem. E eu vou indo triste, pelo cais do porto de Paranaguá, a olhar as baleias jubarte indo ao longe. O canto melancólico dos meus pesadelos...

Sunday, December 17, 2006

Ataque

Quando você me deseja assim, com os olhos muito abertos e a boca arfante, sinto uma emoção grandiosa, uma vontade louca de destilar tuas roupas e declamar meus beijos em cada parte da tua alma, tomando cada reentrância de sua anatomia.

E então, quando estiveres dominada e os recantos teus forem todos meus e minha presença for tudo o que podes desejar na vida, te darei uma onda de prazer tão intensa e uma alegria tão exuberante quanto as explosões nucleares das estrelas nos céus.

E sendo minha te farei ser tão tua e tão mais que tua que a pele será meu cobertor e minha respiração teu coração a pulsar enlouquecido, à beira de um enfarte: ataque do gozo mata dois amantes...

Thursday, December 14, 2006

Desejo

Quando eu desejo não é de uma maneira racional. Eu desejo com todas as minhas forças. Eu desejo com as mãos, a boca, a língua. Eu desejo com a barba, os pés, os cabelos, com tanta força que todo meu corpo se paralisa em busca de meu bem desejado, da mulher perfeita, aquela que toma tudo de mim...

Quando eu desejo, extrapolo o conhecível. Desejo de tal forma e com tal intensidade que sinto terremotos em mim: tremores de carne sacudindo o universo.

E quando eu amo, não amo como valsa, mas como Rock and Rool, ópera e sinfonia juntos, se recombinando e se misturando, uma batedeira gigante no ritmo do coração. E amo com força, amo com febre, amo como quem se despede da vida, amo de morrer, gozo de matar.

E quando eu gozo, me sumo. Sumo de mim e pra mim, na ânsia de recombinar, de bater em retirada de mim. Só gozando me sinto eu.

Só gozando me sinto assim: Fim...

Friday, November 17, 2006

B(alza)quiana

Metade mulher, metade fúria, fiquei muito surpreso quando, depois de tantos anos, ela falou comigo pela primeira vez. E ela veio como sempre: arrogante e fatal. Cada uma das palavras era um soco no estômago.

E não sei porquê, enquanto ela falava as palavras se misturavam na minha cabeça e eu não pude ouvi-las. Via o branco dos dentes tortos, a linha indecente do decote, o vestido vermelho que lhe assentava muito bem o corpo. Via a respiração ofegante, o cenho franzido, as sobrancelhas mal-feitas muito próximas, a veia saltada no pescoço.

Aquilo era uma bachiana. Os braços se movendo muito rápidos, as mamas que subiam e desciam acompanhando o movimento dos ombros, prestes a me afogar. Ouvia os acordes de Bach, um violino e ela dançava e cantava numa língua ininteligível. A língua dos insultos, da fúria.

Uma vontade louca de tomá-la ali mesmo, no corredor do prédio, em meio às crianças que brincavam de carrinho. E as minhas palavras saíram soltas e decididas:

– Entre, aqui está fazendo muito barulho.

Não tinha ouvido nada além da melodia bem composta do violino em meu cérebro e ela bailava naquele som, fantasia e realidade reunidas enquanto continuava o palavrório. E meu próximo gesto foi inevitável e avassalador.

Sabia que era perigoso e poderia ser fatal, mas mesmo assim calei-a com um beijo forte, decidido, beijo de homem. E ela se movimentando ainda mais, agora em descompasso com a música, tentando se desvencilhar, mordendo minha boca, e eu segurava suas mãos, continha seus movimentos.

E ela parou, retribuiu a carícia, lambeu o sangue dos meus lábios, agarrou minha nuca com força, arranhou meu peito, rasgou minhas roupas e me jogou sobre o tapete. E eu sabia que não podia ser assim. Eu era o controle e tinha de exibi-lo. E com todas as minhas forças a joguei no chão, rasguei seu decote, abri seu sutiã e tomei seus seios como meus.

Amei-a com fúria sobre o tapete da sala e, enquanto ela ainda se recuperava, perguntei:

– O que a senhora queria mesmo?