Friday, June 23, 2006

sem título 1




Olhos que cativam e exploram
Olhos de lince, caçadora
Mulher madura, flor em transe
Sorriso, fácil, olhar penetrante
O colo que decola,
A boca que indica:
Verdade inflamada.

O peito que grita e grita
Sou eu, giro e vulgar
Tomador de tuas forças
Água em que te refrescas
Paradoxo triplo e único
Amante, amado e invulnerável

Diga-me, tutora, que é de mim?
São teus meus versos eternos
Derramados entre os dedos
Em sinfonias silenciosas
Em cânticos apócrifos
Em bocas e falsetes
Líquido amniótico que me envolve.

Procura essa boca que te quer
Dê-me, nem que no fim
Da noite eterna o prazer do beijo
O descanso que sucede o gozo
O colo cálido que me refrigerará...

Escravo....

Thursday, June 15, 2006

HIstórias de Azeitonas e Empadas - II

Dias e dias fazendo plantão nas floriculturas e jardins da cidade, com uma caixinha de papelão nas mãos. Cada pétala caída, vermelha, amarela ou branca, era recolhida e colocada na caixinha humilde. Moça pobre, não podia dispor de dinheiro para comprar uma flor inteira.

Não tinha coragem de arrancar as rosinhas-anãs que D. Carola plantava na lata de leite em pó. Maldade sem tamanho, depois que a gente arranca a flor fica marrom e fedorenta. Mas as pétalas caídas naturalmente, ah! Não havia uma que escapasse dos seus dedos magrinhos.

De noite, encontrava o namorado no portão de casa, ele sentia aquele perfume.
- Que colônia é essa, baixinha?
- Colônia nenhuma não, grandão.

A caixinha escondida debaixo da cama, abarrotada de cor e cheiro.

No dia que a família dele foi tomar banho na cachoeira, ela foi bater na porta dele. Ele, com três ventiladores pra consertar, cheirando a óleo e solda, quando abriu a porta e viu a baixinha ali, mal escondendo a caixa de papelão, ficou feliz. Mas ele não sabia muito bem como era ser feliz e riu só com o lado direito da boca.

Ela pegou o grandão pela mão e fez com que ele deitasse na cama. Abriu a caixinha e fez chover sobre ele uma chuva branca, vermelha, amarela, as pétalas macias, pedaços das alegrias que brotavam do chão.

E ele, alérgico, começou a espirrar. Ela ria da cara dele de brabo.

Desde aquele dia, ele a chama de Minha Flor.

Sunday, June 11, 2006

O Beijo

O Beijo esperado ocorre
Lento, leve, fácil, tácito
Lábios que se roçam,
Mãos que se entregam
Almas que se misturam
Poéticas, singelas
Homogeneidade simples
Momentos importantes
Espera válida: ponto no tempo...

Monday, June 05, 2006

Mineirês

Paixão...

Num güento mais ficar longe docê.

Quando eu tô longe eu sinto um trem tão ruim, mas tão ruim que parece qu'eu num vô guentá mas vivê não...

Ô paixão, mas a paixão por ocê é um trem tão forte, mas tão forte, mas forte dum tanto que minhas perna fica bamba só de pensá em como eu quero tu todinha preu...

Ai, quando eu lembro daquela madrugada me dá uma coisa 'qui dentro, tu nem sabe! Ai, é uma coisa que sobe, e sobe, sabe. Uma coisa dura, mas é bom que nem pão de queijo quentim, recém saído do forno de lenha.

Quero 'braça ocê, quero beijá ocê, quero chupá ocê todinha, quem nem manga no pé. Num vô deixá nem fiapo pra contá a história...Ah, mas quando nóis se vê, num vai prestá não.

Das duas uma, ou tu vai gamá de veiz, ou intão tu num vai me guentá e num vai me querê nem a pau (ê, trem...)Paixão, fica longe deu não? Eu 'scrivi esse post em mineirês só pra tu sabê o tanto que'u acho bunitim...

Do teu...

Friday, June 02, 2006

Aquela menina gordinha não passava despercebida.

Com o chiclete escondido na boca, declamou o poema de dia dos pais na segunda série; chupando pastilha de Hortelã, fez o papel da ama na peça Romeu e Julieta, no terceiro ano; com o toddynho na mão esquerda e o Megafone na mão direita, liderou uma das maiores greves estudantis na faculdade.

Confiante e usando batom sabor cereja, ia aos bares e, entre uma batata frita e uma conversa, levou muitos homens para sua cama. Permitia que eles descobrissem as curvas do seu corpo, que se deliciassem com sua textura de pêssego.

Então, chegou o dia em que uma indiscreta colega de trabalho enviou para seu e-mail a "Dieta dos sete dias". Uma tremenda misturada de folhas, sopa e iogurte desnatado. Prometia mundos e fundos: desintoxicação, renovação celular e, claro, perda de peso.

Tomada pela curiosidade, passou no supermercado e comprou o folharal.

Primeiro dia: teve pesadelos com talos gigantes de agrião que vinham para fatiá-la.
Segundo dia: tomou todos os iogurtes reservados para a semana no café da manhã.
Terceiro dia: Tomou quatro litros de água, tentando preencher o estômago vazio.
Quarto dia: faminta, matou a colega de trabalho com o grampeador e comeu o cérebro.