Ana
AnaEu às vezes fico pensando o que me faz preferir uma mulher sobre todas as outras. Normalmente é uma coisa simples, corriqueira, um mero detalhe que passa desapercebido na maior parte das pessoas, mas que faz toda diferença. Outras vezes é a junção de uma série de fatores isolados que compõem um conjunto, uma obra.
Não, nenhuma mulher me chama a atenção por muito tempo. Dificilmente mais do que alguns dias, na verdade, alguns minutos. E muito raro alguma dessas mulheres chegar a ter contato mais próximo comigo. Essas mulheres, em geral são mais objetos de análise, algo como um livro em língua estrangeira onde se conhece pouquíssimas palavras e não há dicionários disponíveis pra se entender o resto. Pra maioria das pessoas isso pode soar como trabalho inútil e na verdade é já que raramente se escolhendo um livro ao acaso pode se encontrar algo que preste. Porém, não pra mim. Esse jogo é uma das minhas diversões favoritas.
Vejo mulheres assim nos ônibus, nas ruas, nos carros, na televisão, mas caixas de CD’s, nos supermercados. E não pense que beleza é o principal atributo, pois não é. Às vezes é só o som da risada, outras é o perfume característico de mulher, aquele cheiro inexplicável que parece que só os homens conseguem sentir. Outras muitas vezes é a maneira como elas carregam suas bolsas, beijam seus filhos, andam altivas na rua como se o mundo inteiro lhes pertencesse.
Não confundam essa atração com paixão. É algo muito mais profundo, porém mais tátil. Quando uma dessas admiradas vira paixão isso vira um grande problema. Na verdade isso é algo que prende completamente minha atenção e me inspira a escrever histórias. Por isso as mulheres são as protagonistas de meus contos, poesias...
E foi mais ou menos assim com Ana. Ela é um espetáculo de morena, uma mulher linda, deslumbrante, que a princípio não me chamou nem um pouco a atenção. Como eu disse, beleza conta, mas é só um atributo. Um amigo que a viu me descreveu-a com detalhes, falou de seu sorriso, da voz, da maneira com que ela olhava as pessoas. Bem, como eu não a tinha visto, deixei ele falar bastante nela e depois mudei e assunto.
Mas esses dias no MSN, o assunto foi meu último post, sobre uma morena descomunal que deixou um homem louco e que no fim deu uma passagem pra um cruzeiro pelas Bahamas como agradecimento a ele.
Esse amigo me perguntou uma série de detalhes sobre a história (muita gente costuma fazer isso, já que eu deixo várias lacunas nas narrativas) mas eu percebia que o assunto que o intrigava era outro. Ele procurava alguma maneira de mudar de assunto, de compartilhar algo comigo. Depois de um tempo, ele abriu o jogo: a cada linha que lia da história ele se lembrava da Ana.
Ela era sua Morena Descomunal...
Claro, fiz questão de ver a foto dela no orkut, de ouvir com mais atenção tudo o que ele dizia dela. Ele disse que a fez ler a história e que ela achou muito interessante...
Oras, maldição, a tal Ana acabou virando personagem de uma das minhas histórias sem que eu soubesse.
Engraçado é que essa Morena Descomunal que eu descrevi no último conto jamais existiu. Era a junção de um monte de morenas inalcançáveis que eu vejo pela rua. Porém, esse meu amigo viu em Ana cada um dos atributos dessas morenas. Será que existe mesmo uma mulher assim?
Eu sempre preferi as ruivas, mas as morenas não ficavam muito atrás. Elas têm algo diferente, uma maneira especial de sorrir, um traço característico no rosto que as fazem inigualáveis. Já as loiras nunca foram muito meu tipo.
E de tanto esse amigo me falar dessa tal Ana eu acabei pensando nela o dia todo. Pensei em escrever uma continuação da história, de fazer os personagens irem pras Bahamas e completar algumas lacunas, mas não consegui. Depois desse meu amigo me mostrar a foto de Ana, ela e a Morena Inalcançável viraram figuras poéticas indissociáveis.
Enquanto eu tentava montar os conflitos entre os personagens, enredo, juntá-los de alguma maneira e julgava o melhor entre os finais apoteóticos propostos, lá ia a tal Ana a me atormentar a razão, a me fazer pensar nas curvas do seu rosto, na expressão indecifrável dos seus olhos quando observava a câmera, nas sobrancelhas, pálpebras, nas linhas delicadas do nariz, na suavidade do toque da mão que segura um copo vermelho.
E penso em como ela se destaca entre suas amigas, todas muito bonitas. É algo muito mais poderoso do que eu poderia explicar. Ana tem uma atitude superiora, algo como serenidade. E eu, poeta e matemático, fui vencido.
Ana foi musa pra mais um post...
Ana também é minha Morena Inalcançável. Pelo menos nessa noite...
Abraços.

5 Comments:
eu queria ver a foto da ana...
Pô, a arte imita a vida ou a vida imita a arte?
Na verdade, as anas tem um brilho especial... não sei explicar... estranho... essa ana descrita e esmiuçada pelo poeta parece ser mais brilhante ainda... gosteria de ler o relato da viagem a Bahamas...
As morenas, as Anas, as ruivas... poxa... você gosta mesmo de mulher, do jeito legal de se gostar, e é bem interessante observar isso.
Então... morenas, Anas... eu sou suspeita a comentar esse post, mas as duas coisas são agradáveis de se ver. E de conversar tb.
Eu me acho agradável de se ver. às vezes, mas sou!
Será que um dia eu, na qualidade de Ana e de morena, poderia ser musa tb? Eu não desisti disso ainda, hauhuahuahuhauhauhauhauhauhua!!!
Besos, Poeta!
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