Wednesday, October 18, 2006

Molotov

Quando teve a primeira explosão de coquetel molotov na praça quinze de maio eu me peguei perguntando porquê cargas d’água eu ainda tava perdendo tempo ali com aquela menina. Eu sabia que aquele troço não ia dar futuro.

Olhei pros coturnos de marca, a camisetinha preta do Guns’n’roses (tem coisa mais Punk-Paty que Guns?) muito marcadinha pro meu gosto, a calça jeans rasgada artificialmente por algum desses estilistas alemães e os piercings de prata no nariz e na orelha e já aí notei: não ia dar futuro...

Todo mundo sabe, Primeira Lei dos Punks: Punk-Paty não dá futuro.

E ela ali, com os olhos baixos, calada, fingindo êxtase com as cenas da rua, mas se cagando de medo dos PM’s. Ah, eu queria tanto estar lá fora, sentindo o cheiro da gasolina queimando, do gás lacrimogêneo, jogando água suja de cocô de pato naqueles pés-de-bota.

Ah, o meu irmão tava em cima do carro da polícia, metendo paulada em todo mundo. Raios, ele sim que sabia se divertir. Deve ser porque ele é gay, homem não tem frescura não. E mulher punk também não tem, mas aquilo ali era vergonhoso, se quer dar, dê, oras, não venha com essa conversinha. Onde já se viu punk de olhos azuis? Aquilo só podia ser lente de contato...

Ta, ela era bonita, mas, caralho, beleza é só uma ditadura implantada pela cultura Ianque com o objetivo único de continuar nos tratando como países periféricos e subdesenvolvidos. E porquê ela tava dando mole justo pra mim? Deve ser porque eu fiz uma musiquinha pra ela: Olhos de Anis...

Putz, chegou o Caveirão, aquele carro blindado da polícia. A pancadaria tava no auge e eu aqui, com uma Punk-Paty. Quanto tempo eu teria de esperar pra rolar outra pancadaria dessas? Ah, decidi, eu vou sair.

Hum, que beijo bom. Não tinha visto o piercing na língua. Sempre gostei de brincar com essas coisas. E a mão na minha bunda não tava nem um pouco planejado. Mas, oras, uma pancadaria com a polícia me espera lá fora.

Mas sentir os bicos dos seios quase rasgando a camisa é bom...

Não, sou punk, a revolução é mais importante. E, além disso, sou homem. O que o povo vai pensar se não me ver no meio da pancadaria? Vão me chamar de frôxo, de Emo, de rola bostas...

Hum, mas ela sabe como pegar na nuca, no peito, na virilha...

É, a revolução espera. Tenho que quebrar a primeira Lei dos Punks. Mas eu sou Punk, nasci justamente pra quebrar leis.

Acho que essa conversa pode dar futuro.

E que futuro...

9 Comments:

At 11:27 AM, Blogger Mamy said...

Hahahaha... que conto maneiro!

 
At 3:32 PM, Anonymous Aline said...

Se não der futuro dá muro!
Mas o muro jah caiu ;p

um beijo.

ps. pq eu toh sentindo cheiro de pudim?

 
At 12:18 PM, Blogger Ane Brasil said...

Ducaralho, mermão!
Muito show de bola!
Adorei!
Bom saber que (beeeeem de longe) a inspiração partiu de mim)
sorte e saúde pra todos!

 
At 7:36 AM, Anonymous Menina-Prodígio said...

Melhor é o sangue frio das criaturas, se entregando ao tesão com o mundo despencando ao redor...

Ah, mas assim é que é bom!

 
At 7:36 AM, Anonymous Menina-Prodígio said...

Melhor é o sangue frio das criaturas, se entregando ao tesão com o mundo despencando ao redor...

Ah, mas assim é que é bom!

 
At 10:25 AM, Anonymous Anonymous said...

Muito bom... muito bom... muuuuuuuuuuuito bom.

 
At 10:25 AM, Anonymous Anonymous said...

Muito bom... muito bom... muuuuuuuuuuuito bom.

 
At 10:27 AM, Anonymous Bela said...

Que delícia de texto.
Safadinho né tu?
Beijo

 
At 3:05 AM, Blogger sad said...

oh god!
qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência??? :o
rsrsrrsrs
tomara que alguém tenha lido! ia ser emocionante.
Beijos!

 

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