Friday, December 22, 2006

A Árvore

Nesses dias que faz um sol lascado lá pras bandas do porto de Paranaguá, eu fico pensando em como é que pode a vida ser tão trivial sem um tipo especial de beijo que a gente vai sugando com os olhos fechados da boca daquela mulher bonita que passa pela praia nos dias de semana. Não, ela passa sempre à noite e não usa biquíni não. Ela é violão, samba-canção.

Eu acho tão lindo o sorriso dela, cheio de dentes tortos, os cabelos arrumados como se pode, a bolsinha pequena pra guardar as notas de dólar e aquele short minúsculo sem calcinha. E ela se oferece pros turistas colombianos, atrás da mulher brasileira...

Ah, mas com que vontade eu sugo aquela boca! Eu trabalho a semana inteira pra poder ficar com ela. E fico como posso, fico ficando, oras!

E ela se despede, indo pra outro homem. E eu vou indo triste, pelo cais do porto de Paranaguá, a olhar as baleias jubarte indo ao longe. O canto melancólico dos meus pesadelos...

Sunday, December 17, 2006

Ataque

Quando você me deseja assim, com os olhos muito abertos e a boca arfante, sinto uma emoção grandiosa, uma vontade louca de destilar tuas roupas e declamar meus beijos em cada parte da tua alma, tomando cada reentrância de sua anatomia.

E então, quando estiveres dominada e os recantos teus forem todos meus e minha presença for tudo o que podes desejar na vida, te darei uma onda de prazer tão intensa e uma alegria tão exuberante quanto as explosões nucleares das estrelas nos céus.

E sendo minha te farei ser tão tua e tão mais que tua que a pele será meu cobertor e minha respiração teu coração a pulsar enlouquecido, à beira de um enfarte: ataque do gozo mata dois amantes...

Thursday, December 14, 2006

Desejo

Quando eu desejo não é de uma maneira racional. Eu desejo com todas as minhas forças. Eu desejo com as mãos, a boca, a língua. Eu desejo com a barba, os pés, os cabelos, com tanta força que todo meu corpo se paralisa em busca de meu bem desejado, da mulher perfeita, aquela que toma tudo de mim...

Quando eu desejo, extrapolo o conhecível. Desejo de tal forma e com tal intensidade que sinto terremotos em mim: tremores de carne sacudindo o universo.

E quando eu amo, não amo como valsa, mas como Rock and Rool, ópera e sinfonia juntos, se recombinando e se misturando, uma batedeira gigante no ritmo do coração. E amo com força, amo com febre, amo como quem se despede da vida, amo de morrer, gozo de matar.

E quando eu gozo, me sumo. Sumo de mim e pra mim, na ânsia de recombinar, de bater em retirada de mim. Só gozando me sinto eu.

Só gozando me sinto assim: Fim...